segunda-feira, 30 de junho de 2014

A bola (especial) da vez

A gente passa alguns momentos em nossa vida procurando aquele homem que nos faça sentir menina no olhar e mulher na atitude.

Passamos horas olhando para dentro e procurando a melhor maneira de atrair aquilo que tanto buscamos.

Espontaneamente sempre damos o nosso melhor, usamos nossa melhor roupa, nosso perfume mais caro, exibimos nosso charme na hora de receber um beijo.

A gente se rende e troca as badalações do sábado para escutar jazz ao lado dele, enquanto ele fuma e carinhosamente mexe em nossos cabelos.
O mundo poderia parar naquele momento.

É inevitável, a gente se sente a mulher mais especial. Carregamos o brilho no olhar até na hora que estamos fazendo compras no Mercado, e parece que todos estão percebendo nosso sorriso bobo ao ler a mensagem que ele mandou.

Saímos de casa após olhar três vezes no espelho e só colocamos as pernas de fora, pra fora de casa, só se tivermos certeza que ele vai notar que estamos usando o brinco que ele deu de presente.

É tudo tão leve.

Mas chega um momento em que somos deixadas de lado. Ficamos remoendo de dúvidas sobre onde podemos ter errado.
“O que foi que falei?” “O que foi que fiz?” (Ecoa estas perguntas sem respostas em um quarto gelado ao som da música da Maysa).

Todo o encanto se perde e junto com ele a certeza que não somos mais especiais. E temos que fingir que não nos importamos. Que somos fortes e que vamos superar o ego ao descobrir que fomos substituídas.

É assim, o descarte humano cada vez mais explícito em relacionamentos rápidos de corações sem compromisso.

Somos substituídas com frieza nos papos do Whatsapp, não recebemos mais o like nas fotos, não somos mais enternecidas com mensagens fofas de bom dia.

Somos deixadas de lado. E temos que mostrar firmeza, postura e sorriso no rosto. E ninguém precisa saber que dormimos em travesseiro molhado.

Finja, menina. Finja que está tudo bem e que não se importa por não ser a bola especial da vez.





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