quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ele não estaria tão só


Se ele descobrir o quanto eu admiro o seu sorriso e o quanto adoraria ouvir sua voz, ele não ficaria tão longe de mim. Ele jamais se distanciaria do meu cheiro se sonhasse o quanto mexe com minhas imaginações. 

Eu o espero todas as noites com o celular na mão esperando sua mensagem, só que ele não sabe disso.
Parecendo doida, dia sim, dia não, procuro como quem não quer nada, vou chegando de mansinho e mesmo assim ele não sabe o quanto quero sentir aquela mão pesada apertando meus dedos, minhas costas e meus braços.

Como pode ser tão tolo e não perceber que fico parada bem na sua frente mexendo nos meus cabelos e esperando um beijo seu?! Se ele soubesse o quanto a minha boca te chama ele não pensaria duas vezes em tocá-la.

Ele não estaria mais na solidão aos domingos noturnos se soubesse o quanto sua presença me atrai.
Será que conto ou deixo ele me mortificando com sua sedução sem intenção? Ele me desmonta quando me chama de amiga, mas ele não sabe quanto quero ser amante.

Talvez outra pessoa habita em seu coração e em seus pensamentos e eu em minha covardia recuo com medo de perder.
Faço o jogo de querer ser conquistada, faço de tudo para receber um convite, mas sem que ele perceba o quanto o espero.

Enquanto espero, vou admirando sua gargalhada gostosa, e nisso, o mundo em minha volta embaça, fica sem som e paro diante daquele tímido olhar e aqueles dentes enormes à mostra só pra mim.

Quero tanto invadir aquele moço e mostrar estas palavras que escrevi, tenho certeza que jamais ele se sentiria tão só.
Quero tirá-lo da solidão e levá-lo aos meus delírios, às minhas piadas sem graça e fazer com que ele se apaixone pela vontade de estar comigo.

Mas fico muda, desviando o olhar para que ele não veja o brilho que exalo nele. Ele não estaria mais na escuridão se fixasse seu olhar no meu por pelo menos três segundos. Certeza que ele não resistiria.
Mas recuo.


O último texto


Quando a vontade da reclusão vem, entro em um esconderijo tão íntimo a ponto de acreditar que ninguém vai invadir e sequer vai perceber a distância que me encontro do universo.
Só quero ficar aqui, faça-se o silêncio, me deixa escutar somente a minha forte respiração enquanto ela bate nas páginas do livro amarelo.
Sinto meu nariz coçar a cada virada de folha, até minha rinite está me agradando neste silencioso estar.
O mundo lá fora eu não quero mais, hoje estou exatamente confortável com este meu pescoço torto apoiado em um travesseiro colorido. Quero levar minha imaginação bem no alto, esticá-la até tocar em Deus, enquanto sinto meus pés fixos no colchão entre o edredom. Este mundo é tão meu.
Continuem fazendo silêncio enquanto continuo esticada sem fazer nada. É nesta hora que fertiliza meus pensamentos e não consigo mover sequer a perna.
Estou só nas vésperas do fim do mundo. Opcionalmente retirei-me do barulho e me pertenço. Sou a pessoa mais estranha, mas sou minha. Sou a mulher mais perturbada, mas sou toda minha. Tenho os desejos mais insanos, mas são meus. Tudo aqui é meu, até minhas vontades que não podem ser executadas me pertencem.
Mundo meu, egoísmo meu, sonho meu e é neste silêncio que posso esperar o fim do mundo e este pode ser o último texto da minha vida.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quando eu falo de Paixão

Já conheci alguém que declarei amor eterno. Mas não foi. Acabou. Me apresentaram as maiores declarações de amor, eu cai, e eram falsas.

Quantos frios na barriga eu já senti, quantas vezes minhas mãos ficaram suadas de nervosismo diante de alguém, mas era tudo em vão?!
Já entreguei de corpo e alma, e como brinde minha vida inteira, minha paixão sempre foi eterna. Mas acabou.

Ainda me apaixono, ainda me entrego, mas decidi primeiro ser conquistada. 
Gosto da liberdade de me apaixonar e me desapaixonar quantas vezes eu quiser.
Mas quando a paixão acontece é pra valer.

É para marcar e para fazer acontecer. Mas agora não perco mais tempo apaixonando só pelo sorriso ou o rosto bonito.
Errado é falar que tem que pisar para outra pessoa se apaixonar.
Eu me apaixono pelo carinho, pelo abraço apertado a ponto de ficar com o cheiro da pessoa no corpo.
Apaixono pela atenção recebida e por cada mensagem respondida, e principalmente, por ser lembrada e tratada como toda mulher merece, respeito e admiração. O resto é opção de sofrer. 

Se eu não me apaixonar, não perco tempo, não gasto batom e nem rímel, não faço questão do sim e nem do não, não serei convencida e muito menos me contentarei com pouco.

Ahhh, mas se eu me apaixonar, mergulho, me jogo e entro no jogo. 
E vivo infinitamente aquele amor, aquela delícia. É com minha paixão que divido o meu maior salto, que passo o meu melhor perfume e, inclusive, é com essa paixão que me permito me ver amanhecer despenteada e de cara lavada.
Somente a paixão me dá a liberdade de ser como sou, agir como quero e ainda assim me entregar sendo loucamente insana, voando alto com os pés no chão .
Ainda vivo essa paixão, até encontrar o amor. Mas isso é outra história.

E tenho dito.

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