quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O último texto


Quando a vontade da reclusão vem, entro em um esconderijo tão íntimo a ponto de acreditar que ninguém vai invadir e sequer vai perceber a distância que me encontro do universo.
Só quero ficar aqui, faça-se o silêncio, me deixa escutar somente a minha forte respiração enquanto ela bate nas páginas do livro amarelo.
Sinto meu nariz coçar a cada virada de folha, até minha rinite está me agradando neste silencioso estar.
O mundo lá fora eu não quero mais, hoje estou exatamente confortável com este meu pescoço torto apoiado em um travesseiro colorido. Quero levar minha imaginação bem no alto, esticá-la até tocar em Deus, enquanto sinto meus pés fixos no colchão entre o edredom. Este mundo é tão meu.
Continuem fazendo silêncio enquanto continuo esticada sem fazer nada. É nesta hora que fertiliza meus pensamentos e não consigo mover sequer a perna.
Estou só nas vésperas do fim do mundo. Opcionalmente retirei-me do barulho e me pertenço. Sou a pessoa mais estranha, mas sou minha. Sou a mulher mais perturbada, mas sou toda minha. Tenho os desejos mais insanos, mas são meus. Tudo aqui é meu, até minhas vontades que não podem ser executadas me pertencem.
Mundo meu, egoísmo meu, sonho meu e é neste silêncio que posso esperar o fim do mundo e este pode ser o último texto da minha vida.


Um comentário:

Shirley disse...

Nossa Crissss como assim o último texto? e os textos que você vai escrever ao lado de São Pedro kkkkkkk, adorei, bjocas

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