domingo, 30 de junho de 2013

Quero Colo

Eu abomino carência. Não suporto demonstrações públicas de quem precisa urgentemente de alguém. Isso mostra um certo desespero e medo da solidão. E eu sempre levantei a bandeira da autossuficiência. 
Acredito que a felicidade que tanto buscamos nas pessoas, na verdade está em nós mesmos. E deveríamos compartilhar nossos melhores momentos da vida com aqueles que vêm para completar aquilo que já está muito bom.

Só é possível ser feliz com alguém quando já estamos felizes com nós mesmos.
Mas de tanto nos fazermos de forte e autossuficientes, mergulhamos em um orgulho desnecessário. E hoje grito calada entre palavras: quero colo.
Já cuidei de tantas pessoas, dei ouvidos para tantos ombros e chega uma hora que sentimos falta de apenas um "como foi seu dia?" ou "como você está?".

Mesmo sendo forte, não dá para manter no "salto fino quinze" todo o tempo. Os pés cansam do mesmo jeito que nossa necessidade de cuidado fala alto. 
Ai, o jeito é se entregar às palavras desenfreadas, e escrever sobre a necessidade de um colo e um ombro amigo. Aquele ombro que sempre disponibilizei para todos os amigos e desconhecidos. 

Está tudo bem. Só quero colo. 


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Receita de Amor Banho-Maria

Ainda há quem goste de alimentar o próprio ego despertando o amor em outra pessoa mesmo sabendo que não irá sentir nada por ela, mesmo não querendo amar.

E assim, uma receita de amor banho-maria é exibido em uma emissora de TV à coração aberto. 
De um lado, mistura de sentimentos de uma pessoa disposta a amar com medidas infinitas. 
De outro, alguém com doses limitadas de disposição para algum tipo de relacionamento. Apenas pitadas extras de aventuras com pimenta à gosto.

E nesta mistura, a massa não fica homogênea, mas mesmo assim, depois de tanto sovar, o lado mais frágil ainda insiste deixar os sentimentos descansando. - Uma hora cresce.

A parte mais dura da receita, já sabendo que a mistura está suficienteMENTE no ponto para ser consumido a qualquer momento, é colocada junto com os ingredientes não-homogêneos em banho-maria para não esfriar. E de grão em grão o lado frágil se decompõe ao som das borbulhas do amor fervendo em sua volta, que em breve se evapora e depois não fica nem o cheiro.

Consumido. Consumado. Digerido. Ou vomitado.


Herança



A minha paixão pelas palavras e pelo romance não é muita novidade para quem me segue na internet ou para quem me conhece desde criança.
Só que essa paixão pelas palavras não surgiu do nada. É herança. 
Meu tio Jorge, falecido há vinte anos +/-, também escrevia e expressava em palavras seus sentimentos, principalmente pela Graça, seu grande amor.
Nesta carta de 1982, meu tio demonstrava o quanto amava o amor, as palavras e a arte. Além de escrever, ele também fazia esculturas em madeiras.
É essa a herança que eu carrego, a paixão pelas palavras e pelos sentimentos escritos. Sejam eles reais ou imaginários, mas que vem de dentro e alimenta a alma.

PS: Minha tinha Terezinha também é uma grande escritora e poeta [vencedora de vários concursos literários].



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