quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Aprendendo a ser má

Mulheres boazinhas se dão bem?

Namorada que mima, manda mensagens de "bom dia", aprende até cozinhar e no fim, com apenas 180º de puro charme na viradinha, empina seu lindo popô para sentir o pé, (com unhas lixadas e com uma camada de base que você passou) a chutando.

Homem brutalmente machista, caindo nos encantos daquela mulher poderosa, baladeira, toda desencanada da vida que conta aos quatro ventos que faz um miojo super bem. Essa mulher da unha bem feita ou dos cabelos oleosos, ignora as chamadas, não responde as mensagens do "brutos", que de repente vira príncipe e bobo, ganha o coração, o cavalo e a armadura do tão desejado bofe.

A graça acaba quando tem o interesse? Que bruxaria é essa? Basta gostarmos do gato, demonstrarmos aquele brilho no olhar e pronto: estragamos tudo!

Seria bem mais fácil gostarmos instantaneamente daquela pessoa que vira o olhar de baixo para cima com luzes feito refletores de estádio de futebol.
Mas não. Tudo acaba quando mandamos mensagens de "boa noite" duas noites seguidas. Todo encanto acaba quando estamos interessadas em sair com ele em pleno sábado a tarde de mãos dadas no shopping da cidade.

Tudo vai por água abaixo quando queremos saber se o sobrenome dele combina com o nosso caso venhamos a casar. E isso nem foi dito para ele. Mas parece que eles sentem. Parece que eles têm a intuição masculina que alerta aos berros "Ela está na sua".

Aí vem a ideia diabólica masculina de deixarmos no vácuo, de dar aquela sumidinha aos finais de semana e aquela volta triunfal nas segundas-feiras.

Eles vêm com carinhos e desculpas. Com contradições que nos deixam, muitas vezes, surdas. Caímos de joelho no primeiro "linda". Depois de cairmos, estamos imóveis, prontas para sermos colocadas novamente na panela, e por lá, ficam nos cozinhando até o final de semana chegar.

Novamente o diabinho fala ao ouvido deles: "Se não tiver nada de interessante para fazer, ligue para ela. Com certeza ela vai atender, afinal, você fez tudo que deveria durante a semana."

Chega! Não precisa de muito tempo para sabermos que estamos sendo mais cozinhadas que frango de padaria aos domingos.
Não precisa de muito para entendermos os sinais daquele cafajeste que quer apenas nosso corpinho como sobremesa durante a semana enquanto aproveita o prato principal nos finais de semana badalado.

É a hora de dar a volta por cima. Levantar sensualmente, olhar nos olhos, mandar beijo com dois dedos e dizer ao pé do ouvido do gato: Eu te ligo.

Aí, você sai chorando dirigindo o carro com o som nas alturas para não ouvir os próprios soluços, convicta que nunca mais ligará para ele. Que ao chegar em casa não mandará a mensagem de "cheguei bem, boa noite". Você vai procurá-lo, talvez a semana que vem, talvez o mês que vem. Mas será você a ligar. Será você que vai recusar as chamadas e demorará horas para responder a mensagem.
Será você que inventará as desculpas mais contraditórias. Será você que vai se remoer, jogar o celular longe, colocá-lo no silencioso para não cair em tentação. Mas você vai ter o domínio.
Até aprender a viver sem. Até aprender a viver só com sua presença. Até encontrar o cara da música do Roberto Carlos.
Até você saber que amor próprio é correspondido, e então, se amará o suficiente para não ser marmita.
Aprenda ser má. Aprenda se(r) a(ma)r.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Chico

Moço que chega bem quieto a me atormentar. Ele sorri de lado, cabeça baixa e olhar pra cima.
Menino que abaixa os olhos quando elogia. Que segura nas mãos para passear os seus dedos.
Ah, menino da panturrilha grossa e da tatuagem exposta. Garoto que canta ao pé do ouvido e agarra pela cintura. Esconde pra si o seu segredo. Some muitas vezes causando medo. Chega bonito, com perfume marcante, cabelos molhados. Vai embora triste, com as mãos no bolso e parece desolado.
Chico que leva consigo todos os mistérios. Não dá para saber se ele ama ou se anda decepcionado.
Menino sensível, um pouco carente. Um cafajeste dócil e com o dom de confundir a gente.

Vem príncipe e cavalheiro.
Vai cafajeste, vai direto para um puteiro.

Chega o Chico, sedutor e com olhar ingênuo.
Parte o Francisco, ríspido e tão feio.




Da minha preferência pela madrugada

É da madrugada que gosto. É neste estágio que a lua fica mais brilhante, mais baixa, sinto que se eu esticar um pouco mais as minhas mãos posso tocá-la com as pontas dos dedos.
É no silêncio da madrugada que escuto mais os pensamentos. É a sincronização das ideias com os grilhos da rua, e de longe, bem longe, posso escutar os barulhos dos motores dos carros passando junto com balançar das folhas das árvores.

E é justamente nesta madrugada que sinto a solidão gelar por entre os ventos que vem pela janela. Ele sobe pelas minhas pernas e parece penetrar dentro de meu coração e ele transborda pela falta de companhia.
Tristeza por não ter por quem sorrir, por quem amar.

A madrugada me deixa madura, mais velha e mais focada. Me deixa artista, desinibida, despida em palavras. A música fica mais alta, o tilintar da gota caindo sobre o metal na cozinha fica harmonioso, não mais incomoda, não mais me desperta.

E antes que venha a aurora, adormeço com a canção das palavras em meus pensamentos. Primeiro sonho, para depois dormir. Poucas horas que me restam de descanso e com pesar, desfaleço. Contra minha vontade me aconchego nos travesseiros.
Não quero dormir, eu prefiro a madrugada.
E tenho vivido.

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