quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Homenagem que não quero

O clima fica pesado, a energia é sugada visivelmente, o sono bate, os olhos fecham. Não é possível controlar mais essa tensão.
Bocejos.

O texto é meu, a ideia minha, foi feito, foi escrito, foi levemente copiado.
As frases são minhas, os bordões são meus, foi dito por mim, por outra foi levemente falado.
Não tinha ideia e nem rumo, não tinha sorriso espontâneo. Vivia outra vibe, outros rumos, outras visões.
Escolheu minha profissão, minha formação e a vida que eu planejei.

Assustei. "Coincidência", cheguei a pensar. Mas com olhar de coruja fui além, bisbilhotei e encontrei mais. Obsessão por coisa alheia. Marido, noivo, namorado. Para! Desci, troquei a rua, só não mudei de nome. Precisava me disfarçar. Precisei esconder de mim, ser outro alguém para que espantasse a sombra.

Corri, me perdi, gritava socorro calada! Fiquei sem reação. "Tirem daí, essa sou eu, não é ela. Sou eu! Acordem", eu gritava com os olhos. Desisti. Sai à francesa. Escondi de todos. Escondi de mim. Medo.

Como pode alguém viver uma mentira? Não entendo, não to louca. Ali sou eu. 

E tenham vivido.

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