terça-feira, 2 de outubro de 2012

Secou


Não era mais melodia equalizada e nem existia mais a dança sincronizada.
Desafinou.
A presença de um incomodava o outro que já não dormia mais em paz. 
Desencantou.
A paciência foi embora junto com o assunto e aquele silêncio explodiu. 
Vibrou.
As doces declarações de amor foram tomadas por palavras pesadas, desabafos sinceros de um sentimento que talvez nunca tivesse existido.
Acabou.
Não dava mais para brincar de namorados e de desfilar de mãos dadas com um sentimento que não os pertencia mais. E a última gota de sonho,
pingou.
Veio a sede, foi-se embora a água. Não havia mais motivos para chorar, nem para sorrir. O triste destino de quem não regou e saiu desesperadamente em busca de adubo em terra infértil.
Os sonhos acordaram e transformam em pesadelos subumanos perdendo perspectiva do futuro.
Como folha de árvore no chão de outono, como barro no sol, como qualquer amor mal regado.
Secou.




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