segunda-feira, 12 de março de 2012

Fotos de papel

Hoje deu vontade de abraçar velhos amigos. Aqueles que fizeram parte dos melhores momentos da minha vida e que foram ombros para os mais difíceis. Crescemos juntos mesmo depois de grandes, aprendemos amar, chorar, perder e nunca aceitar perder.
Eles não tinham internet quando os conheci, para falar a verdade até hoje eles não têm, era asfalto, chão e violão e gargalhadas de tirar lágrimas. O saudosismo que habita em mim faz-me lembrar de acontecimentos marcantes na minha vida e da presença tão fiel. Trocávamos confidências, biscoitos e receitas. Cumplicidade, aprendizado e gratidão, são as palavras que encontrei para descrever essas amizades.
Não se importavam com a marca (ou falta dela) nas roupas que vestia, se eu não aparecia em um dia, no outro já me ligavam, me chamavam em casa.
Mas os ponteiros do tempo não param, todos seguem rumos, muitas vezes diferentes, então resta saudade e torcida para que tudo dê certo na vida deles, e que muito em breve possamos nos reencontrar.
Sabemos que fazer amizade não é difícil e mantê-las não é fácil, afinal, pessoas erram e lidar com criações e culturas diferentes exige maturidade, paciência e pé no chão. Hoje está tudo baseado no interesse, no que podemos oferecer em troca, e não falo de biscoitos, receitas e confidências. É difícil demais lidar com superficialidade, posar de status e conviver com quem não tem personalidade. Fiquei exigente, relacionamentos com pessoas exigem confiança, cumplicidade e presença. Uma vez perdida, para sempre esquecida. Não se fazem mais aquelas amizades que se podem botar a mão no fogo, nunca vamos saber o que é real. Fazemos amizades de infância em dez minutos e perdemos em dez segundos. Trocamos de melhores amigos em cada estação e em cada decepção a marca da saudade de quem você sabe que pode contar e confiar, mas está há quilômetros de distância.
Hoje não estou com vontade de abrir as fotos do Facebook, hoje quero abrir meu álbum de fotos e tocar no papel como se eu tivesse abraçando os velhos amigos.
Quero muito matar a saudade deles e sei que um dia vou reencontrá-los, vamos rir dos momentos passados e dividir o presente com ternura. Sei que isso vai acontecer, creio e espero esse dia chegar.
Sem desmerecer as amizades novas que também são importantes, mas se hoje elas nos têm é porque há uma raiz que ensinou a ser amiga. Posso esquecer onde guardo as chaves, o celular e até as senhas da internet, mas nunca e jamais esquecerei da onde vim.
E assim tenho vivido...

7 comentários:

Patrícia disse...

Que lindo texto!!!
Eu também sinto essa saudade... parece que tudo era tão diferente... alguns amigos atuais tb sentem.
Ah que vontade de encontrar meus velhos amigos...
Beijos

A VIDA É UM ETERNO APRENDIZADO disse...

Bom dia!
Tive a felicidade de hoje conhecer seu blog e me encantar mais um pouco nesse mundo tão louco.
Concordo com o que você escreveu.Sinto saudades dos meus amigos de infância.
Grande abraço
se cuida

Cris Paulino disse...

Patrícia, era tudo diferente sim, parecia que antigamente os amigos eram mais próximos! =)

Cris Paulino disse...

A vida é um grande aprendizado... obrigada pela visita e pelas palavras... vou visitar o seu mundinho também!! Beijos

Bordunga disse...

Nossa, como eu entendi esse seu texto e o que vc fala nele. Lembro-me como se fosse hoje a turma da rua de baixo brincando de bicicleta, pogobol, comendo ingá e contando piada embaixo das árvores. Qt naturalidade! Que saudade gostosa, aconchegante.

Beijo, queridona.

Shirley disse...

Na condição de ser uma pessoa nostálgica as vezes esse seu texto me fez viajar em um outro tempo da minha vida, ameiiii, perfeito...

Fernanda Marchioretto disse...

Ouvi ontem: "fulana é a amiga da vez". Realmente é muito isso. Todo tipo de relacionamento tem se tornado vulnerável demais. Não gosta das mesmas baladas, não serve mais pra ser amigo. Feliz aquele que conserva os amigos fiéis e percebe que amizade vai muito além de fotos no facebook.

Ads Inside Post