46 dias e um silêncio
Eu tinha que chegar na farmácia antes das 19h. Mais uma vez, deixei para a última hora para pegar meu antibiótico, que já tinha acabado. Eu tinha o dia inteiro, mas já eram mais de 18h30 e, na correria entre o semáforo que nunca abre e a ânsia de saber que a farmácia do posto fecha pontualmente, pensamentos se misturavam entre: "Por que eles inventaram de colocar 879 semáforos em rotatórias aqui nesta cidade interiorana que quase não venta?" e "Por que o silêncio dele parece uma mão inteira apertando meu pescoço? Mal consigo respirar.". Cheguei no posto. Fácil estacionar. Ufa, são 18h47. Dá para pegar. Chego ansiosa à recepção e logo a decepção: "A farmácia fechou às 18h45, agora são 18h48. Chegue mais cedo amanhã." Olhei o celular para conferir as horas e, realmente, ele não mandou mesmo nenhuma mensagem ainda, e já eram 18h49. Vou atrapalhar meu tratamento se eu não tomar esse antibiótico. Como eu sou irresponsável por deixar em ci...